ONU protege mandamento divino?

Tendo Deus terminado no sétimo dia a obra que tinha feito, descansou do seu trabalho.  Ele abençoou o sétimo dia e o consagrou, porque nesse dia repousara de toda a obra da Criação.

O mandamento divino diz que devemos santificar o domingo e guardar os dias santos. A lei antiga, mais especificamente, manda:

Lembra-te do dia do Sábado para o santificar. Durante seis dias trabalharás e farás todos os trabalhos. Mas o sétimo dia é sábado do Senhor teu Deus. Não farás nele nenhum trabalho, nem tu, nem teu filho ou tua filha, nem o teu servo nem a tua serva, nem o teu gado, nem o estrangeiro que vive em tua cidade. Porque em seis dias o Senhor fez o céu e a terra, o mar e tudo o que eles contêm: mas ao sétimo diz descansou. Por isso o Senhor abençoou o dia de sábado e o consagrou.

Mas o que isso tem a ver com a ONU?

Se o mundo todo fosse mais esperto evangelizado, ações do tipo que a ONU teve que implantar essa semana não seriam necessárias. Mas como o mundo está em «em estado de caminho» para a perfeição última (cf. § 310 do Catecismo) nem todo mundo segue o mandamento divino.

Daí que no dia 16 de junho a Organização Internacional do Trabalho (OIT), uma agência especializada da ONU, em sua 100ᵃ reunião, adotou um novo acordo em que os países participantes se comprometem a implantar novos padrões de condições de trabalho para trabalhadores domésticos em todo o mundo.

Esses novos padrões estabelecidos e acordados pela OIT, determinam que os trabalhadores domésticos que cuidam de famílias e lares, devem ter os mesmos direitos trabalhistas básicos disponíveis à outros trabalhadores.

Mas o que realmente me chamou a atenção foi a enumeração desses direitos trabalhistas básicos. Na lista estava horas de trabalho razoáveis, e descanso semanal de pelo menos 24 horas consecutivas.

O descanso semanal é questão de bom senso, lei natural ou mandamento divino?

Boa pergunta! O que as outras religiões falam a esse respeito?

Encontrei resposta numa obra do padre Spirago, professor de teologia, publicada em 1921:

O homem, que é feito à imagem de Deus, deve seguir o exemplo do Senhor seu Deus; da mesma forma que Deus deixou de trabalhar no sétimo dia, assim o homem deve descansar depois de seis dias de trabalho.

O homem precisa de descanso depois de trabalhar seis dias consecutivos. Da mesma forma que se é obrigado a dormir por seis ou sete horas depois de um dia de trabalho, a fim de recuperar as forças físicas, assim também é necessário um período de descanso amior depois de seis dias de trabalho.

Na época da revolução francesa, foi eliminada a observância do sétimo dia e estabeleceu-se que esse descanso se daria no décimo dia; mas logo descobriu-se era imprescindível retornar à antiga ordem das coisas.

O número sete pertence à ordem natural.

Deus, que estabeleceu os luzeiros no firmamento do céu para servir de sinais e marcar as estações, os dias e os anos, (cf. Gn 1, 14),  tinha em vista as mudanças da lua, que ocorrem a cada sete dias, a fim de mostrar-nos a divisão do tempo em períodos de sete dias, dos quais um devia ser um dia de descanso.

O bispo Teófilo de Antióquia, por volta do ano 150 d.C., escreveu mencionando a observância do sétimo dia como um costume universal.

Nós que somos cristãos guardamos o domingo, os judeus guardam o sábado, os muçulmanos guardam a sexta-feira, os mongóis guardam a quinta-feira, a população negra da Guinea e de Goa guardam a terça-feira e a segunda-feira respectivamente.

A interrupção do trabalho a cada sete dias prenuncia nosso descanso eterno no céu (cf Hb 4,9).

Ao solenizar o dia do Senhor renovamos e estimulamos nosso desejo pela celebração do regozijo eterno no céu.

O próprio fato de que usamos as nossas melhores roupas nesse dia serve para nos fazer lembrar da felicidade celeste que esperamos um dia alcançarmos.

Eu podia sair pela tangente aqui e começar a falar do vestuário apropriado para uma missa de domingo… mas o assunto aqui é descanso.

Justamente porque o mundo está em estado de caminho é que existe ainda muito desequilíbrio. A verdade é que se é remunerado ou não, quem cuida de um lar também precisa de descanso, mesmo que esse direito não seja protegido por um órgão da ONU.

Fico aqui pensando se existe algum acordo internacional que garanta o descanso do estudante… mas estou a divagar.

Diz o ditado popular que pobre descansa carregando pedra…E você, descansa como?

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