Cidadania e consciência

consciência?

Os acontecimentos ao redor do PLC 122 e as respostas dos vários setores da sociedade brasileira: uma reflexão sobre o significado de democracia, liberdade de consciência e liberdade de expressão.

Existe muita confusão sobre esse projeto de lei e tem muita gente falando bobagem. Alguns acham que existe um certo exagero por uma parte da população, e clamam por bom senso e equilíbrio. O problema é quando isso passa a ser confundido com o politicamente correto.

E contra o politicamente correto ninguém melhor do que G.K. Chesterton:

“A coisa mais sábia que se pode fazer neste mundo é reclamar antes que você seja ferido. Não adianta reclamar depois do golpe; especialmente depois que se é ferido mortalmente. As pessoas falam sobre a impaciência do povo; mas historiadores sensatos sabem que a maioria das tiranias só foram possíveis porque a humanidade se movimentou com atraso. É essencial, amiúde, resistir à tirania antes que ela ocorra. Não justifica dizer, com um certo otimismo, que o esquema só existe no ar. Só se pode escapar do golpe do machado quando ele ainda está no ar.”

Falando em tirania, graças à era digital podemos ler as palavras sábias do Papa aos líderes da Croácia:

“A qualidade da vida social e civil, a qualidade da democracia dependem em grande parte deste ponto «crítico» que é a consciência, de como a mesma é entendida e de quanto se investe na sua formação. Se a consciência se reduz, segundo o pensamento moderno predominante, ao âmbito da subjectividade, para o qual se relegam a religião e a moral, a crise do Ocidente não tem remédio e a Europa [eu diria qualquer país] está destinada à involução. Pelo contrário, se a consciência é descoberta novamente como lugar da escuta da verdade e do bem, lugar da responsabilidade diante de Deus e dos irmãos em humanidade – que é a força contra toda a ditadura – então há esperança para o futuro.” – Papa Bento XVI, 04 de junho de 2011

Com um Papa como esse, seria impensável a noção de que católicos fossem favoráveis a uma lei que pretendesse impedir essa liberdade. Isso só é concebível, pelo menos para mim, sob a justificativa de que existe engano na formação da consciência por causa da ignorância de certos fatos.

Cheguei à essa conclusão depois de ter lido no blog do Wagner Moura o episódio com o Pe. Fabio de Melo. O padre só pode estar mal-informado a respeito do que diz o tal projeto. Só pode. Ou não?

Contudo, pelo bem da coerência, urge defender o direito à liberdade de expressão de todos, inclusive daqueles sem noção alguma; mesmo que aquilo que expressam seja considerado insensatez por muitos.

Chesterton concorda que “falar causa muito mais dano direto aos outros” do que a bebida. (E as palavras do padre deixaram muitos católicos atordoados)

“O bêbado local causa menos sofrimento direto à comunidade do que o orador local… é verdade que uma grande quantidade de males poderia ser evitada se todos nós usássemos mordaças… a menos que seja permitido ao homem falar, ele não passa de um chimpanzé que só é capaz de emitir ruídos. Em outras palavras, se o homem perde a responsabilidade por estas funções e formas rudimentares de liberdade, ele perde não só a sua cidadania, mas também sua humanidade.” – (O governo e os direitos do homem)

Agora, o padre disse: “Eu acho que há uma forma de ser profeta sem você precisar ferir a dignidade do outro”. Do jeito que a coisa anda, vamos ter profetas que não podem abrir a boca, e nas palavras de Chesterton, não vão passar de chimpanzés.

A coisa mais sábia que se pode fazer neste mundo é reclamar antes do golpe.

Fala-se tanto em cidadania; que tal exercê-la procurando informar-se melhor sobre esse projeto de lei, principalmente aqueles que ocupam um lugar público na sociedade, porque se não reagirmos à tempo, corremos o risco de ir parar num circo, ou pior, numa jaula.

——Deixe um comentário, se quiser.

Anúncios

5 respostas em “Cidadania e consciência

  1. Pingback: Um orador irresponsável estraga mais que a embriaguez « Vida sim, aborto não!

  2. Pingback: Padre Fábio de Melo e o PLC 122/2006 « “Erguei-vos, Senhor”

  3. Pingback: Em cima do muro: pe. Fábio comenta PL 122/06 « Ecclesia Una

  4. Pingback: Um pedido de socorro: mais dom, menos som! « Vida sim, aborto não!

  5. Pingback: O significado de tolerância | Foco Católico

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s