Era digital: 7 razões de Bento XVI para interagir online

Este ano foi testemunha da influência de ferramentas tipo Twitter como meio de comunicação eficaz em países onde a censura tentava impedir o burburinho de uma revolução. Em muitos desses lugares, é a Internet que possibilita atualmente a divulgação dos fatos como e quando eles acontecem.

O que fazer quando o jornalismo local é vendido ou sequestrado pelos interesses de uns poucos, quando fica impossível formar opinião e tomar decisões baseadas em fatos reais, e onde o medo ou o conformismo paralisa e cala a voz de muitos?

O Papa Beato João Paulo II viveu numa época de perseguição, conheceu a que ponto a crueldade humana é capaz de chegar, e por isso mesmo sua mensagem “Não tenhais medo!” é de um peso enorme. Tanto que muitos reconheceram sua influência no mundo e conspiraram para calar sua voz. Ele continuou, sem medo, sendo um catalisador da comunicação da verdade, até o fim. E não era de se esperar menos de um santo.

Não me esqueço da última vez que ele apareceu em público, numa espécie de janela para o jardim das oliveiras, onde era quase palpável sua angústia por não mais ser capaz de se comunicar com aqueles que ele tanto amou.

A realidade é que comunicar-se e comunicar-se bem é um imperativo social.

Já dizia Chesterton:

Não podemos ensinar cidadania se não somos cidadãos; não podemos libertar pessoas se não temos apetite pela liberdade. A educação só é verdadeira quando é transmitida; e como podemos transmitir a verdade se ela jamais nos chegou às mãos?

Este ano está repleto de eventos patrocinados pelo Vaticano: vimos o encontro com os blogueiros em Roma; está para começar o Dia Mundial das Comunicações Sociais, e a Jornada Mundial da Juventude. Todos esses encontros trataram ou vão tratar das novas formas de comunicação e das redes sociais.

Por que tanta ênfase nesse aparente “modismo”? O Papa Bento XVI nos oferece algumas razões para não ignorar esse assunto:

1: As novas tecnologias estão a mudar não só o modo de comunicar, mas a própria comunicação em si mesma, podendo-se afirmar que estamos perante uma ampla transformação cultural. Com este modo de difundir informações e conhecimentos, está a nascer uma nova maneira de aprender e pensar, com oportunidades inéditas de estabelecer relações e de construir comunhão.

2: Como qualquer outro fruto do engenho humano, as novas tecnologias da comunicação pedem para ser postas ao serviço do bem integral da pessoa e da humanidade inteira. Usadas sabiamente, podem contribuir para satisfazer o desejo de sentido, verdade e unidade que permanece a aspiração mais profunda do ser humano.

3: No mundo digital, transmitir informações significa com frequência sempre maior inseri-las numa rede social, onde o conhecimento é partilhado no âmbito de intercâmbios pessoais. A distinção clara entre o produtor e o consumidor da informação aparece relativizada, pretendendo a comunicação ser não só uma troca de dados, mas também e cada vez mais uma partilha. Esta dinâmica contribuiu para uma renovada avaliação da comunicação, considerada primariamente como diálogo, intercâmbio, solidariedade e criação de relações positivas.

4: As novas tecnologias permitem que as pessoas se encontrem para além dos confins do espaço e das próprias culturas, inaugurando deste modo todo um novo mundo de potenciais amizades. Esta é uma grande oportunidade, mas exige também uma maior atenção e uma tomada de consciência quanto aos possíveis riscos. Quem é o meu «próximo» neste novo mundo?

5: Também na era digital, cada um vê-se confrontado com a necessidade de ser pessoa autêntica e reflexiva. Aliás, as dinâmicas próprias dos social network mostram que uma pessoa acaba sempre envolvida naquilo que comunica. Quando as pessoas trocam informações, estão já a partilhar-se a si mesmas, a sua visão do mundo, as suas esperanças, os seus ideais. Segue-se daqui que existe um estilo cristão de presença também no mundo digital: traduz-se numa forma de comunicação honesta e aberta, responsável e respeitadora do outro.

6: Em todo o caso, quero convidar os cristãos a unirem-se confiadamente e com criatividade consciente e responsável na rede de relações que a era digital tornou possível; e não simplesmente para satisfazer o desejo de estar presente, mas porque esta rede tornou-se parte integrante da vida humana. A web está a contribuir para o desenvolvimento de formas novas e mais complexas de consciência intelectual e espiritual, de certeza compartilhada.

7: Em última análise, a verdade que é Cristo constitui a resposta plena e autêntica àquele desejo humano de relação, comunhão e sentido que sobressai inclusivamente na participação maciça nos vários social network. Os crentes, testemunhando as suas convicções mais profundas, prestam uma preciosa contribuição para que a web não se torne um instrumento que reduza as pessoas a categorias, que procure manipulá-las emotivamente ou que permita aos poderosos monopolizar a opinião alheia.

Para as redes sociais não serem apenas mais uma moda do momento, é preciso que os usuários saibam participar de forma ativa e consciente a fim de que haja uma interação online que não seja superficial; aproveitando de fato essa “nova maneira de aprender e pensar” como instrumento a “serviço do bem integral da pessoa e da humanidade inteira“.

É necessário haver uma conscientização de que não se trata apenas de “uma troca de dados, mas também e cada vez mais uma partilha” de “pessoas que se encontram para além dos confins do espaço e das próprias culturas“, uma partilha “de sua visão do mundo, suas esperanças e seus ideais“.

Os blogs, enquanto instrumentos de comunicação e transmissão de idéias e opiniões, estão cada vez mais conectando autor e leitor de forma tangível, diminuindo distâncias, juntando pessoas com interesses comuns, criando amizades.

O Papa Bento XVI convida “os cristãos a participarem de forma consciente e responsável na rede de relações que a era digital tornou possível“; mas “não simplesmente para satisfazer o desejo de estar presente“.

O que ele quer dizer com isso? Ele pede participação, interação, partilha.

Muitos sentem dificuldades, não sabem como fazê-lo, muitos não sabem expressar idéias na forma escrita, muitos não se sentem a vontade, sentem-se expostos, vulneráveis.

Mas faz-se necessário aprender essa nova forma de comunicação a qual o papa nos convida, é preciso libertar-se da timidez, da apatia, do conformismo, etc.

… afinal, como diz Chesterton, “Não podemos ensinar cidadania se não somos cidadãos; não podemos libertar pessoas se não temos apetite pela liberdade.”

Se as palavras do Papa são para você motivo de inspiração, partilhe suas idéias nos blogs que você visita. Façamos parte daqueles que “testemunhando as suas convicções mais profundas, prestam uma preciosa contribuição para que a web não se torne um instrumento que reduza as pessoas a categorias, que procure manipulá-las emotivamente ou que permita aos poderosos monopolizar a opinião alheia.”

Convido-os a participar desse blog, deixando seu comentário.

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